Carinho

•janeiro 29, 2010 • 1 Comentário

A próxima viagem nem é tão longa como outrora, nem tão distante. Embora iminente, falarei dela quando chegar, e lhes darei perfeita descrição de como é. Ficarei por um não-sei-quanto-tempo, única certeza é que o ninho materno será ali.

Porém estou vivendo um dia depois do outro. Caso contrário, a fina penugem que me cobre a cabeça já sequer existiria…

Nos meus devaneios pré-viagem – e capitaneado pela minha amiga Loba (sempre ela) – comecei a devanear sobre as formas de carinho e seus significados.

Mas o que é carinho afinal? Que manifestação é essa que – ao menos pra mim – tem importância absurda? Porque gostamos tanto do “take care”? E porque em nossa vida diária damos tão pouca importância (que paradoxo, não?) a isso? E mais importante: como transformarmos nossas vidas para que o ‘menos importante’ resgate seu verdadeiro valor?

Bom, sei que pra mim é valoroso. E muito. E poucos momentos como esse, onde você chega em um lugar e independente de quem seja e a quanto tempo você conheça, você recebe esse carinho, pra mim não tem preço…

Vou deixar esse devaneio para vocês. Tragam a mim seus pensamentos a respeito de “carinho”, para que eu possa absorver um pouco de seus sentimentos e experiências.

Quero agradecer a essa amiga tão especial, que hoje caminha de cabeça erguida, corpo ereto e um sorriso contagiante, pelo carinho demonstrado em nossa última conversa.

E pode deixar que eu volto. O quanto antes.

Calm River

•dezembro 20, 2009 • Deixe um comentário

Nos pastos alaranjados pelo frio inverno vejo minha vida passada.
Céu azul, sol quase se pondo.
Dão à tela que se forma em minha imaginação um aspecto saudosista.

Sinto o vento cortar-me por entre as asas, mesmo assim arrisco uma curva alargada para um lado, para o outro. Ganho em meu campo de visão as montanhas que cortam esse pequeno vale margeado por um rio calmo e enfim ganho altitude, para poder contemplar ao fundo as montanhas semi cobertas por uma neve densa.

É a natureza pintando mais um quadro de perfeição para nós admirarmos – penso.

Tento me recordar como fui parar ali, se estou sonhando ou mesmo se estou desejando estar ali. Olho pra trás novamente e faço a grande descoberta: aquele ninho que tanto desejei hoje ficou no passado.

Ficam os amigos que estiveram tão perto nestes meus sobrevôos, peregrinações, períodos de descanso. Estes sim fazem a história que eu poderei contar lá na frente.

Mas por mais que seja divertido conviver, às vezes para um albatroz acostumado à solidão o tempo só é também importante.

Lá vou eu me reinventar novamente. É mais um ciclo chegando ao fim, dessa vez de uma viagem que nunca aconteceu.

Para este próximo passo, só uma certeza: o ninho não será o mesmo destes últimos anos. O “tudo novo” me traz aquele friozinho na barriga de outrora, que eu encarei e superei. E vou superar novamente para que em futuro breve possa passar o nobre vôo a quem será de direito.

Repensar

•novembro 23, 2009 • Deixe um comentário

Eis que me encontro neste meu refúgio destes tantos anos. Esta outra vida que eu mantenho para mim, quase um ninho, quase uma lagoa. Cheia de vida. Lugar este que já me trouxe tantos encontros, tantos sustos, tanta alegria e tanta paz de espírito. Hoje me encontro aqui. E foi mais um dia perfeito.

Olho pra trás e vejo todos os momentos em que aqui estive. Todas as situações, todos os amigos presentes, os que se foram, os que me permitiram ir um dia em minha viagem de outrora. Lugar de semelhantes tão especiais, lugar de encontrar sempre alguém especial. Seria absolutamente o lugar onde escondo um pouco do meu melhor. Aqui eu me re-analiso, me re-invento.

E como não poderia deixar de ser, lugar onde a mais fixa das idéias dá lugar a uma transformação total no meu rol de decisões. Se estamos sempre buscando um caminho, este caminho eu busco já há muito tempo. Fui buscá-lo longe por cansar de buscá-lo perto. E o longe, que me trouxe para o perto, me traz agora um novo caminho, que talvez vá de encontro a um ambiente que eu nunca quis abraçar. Mas que de uma hora pra outra, parece ser o caminho mais correto – e não o mais fácil – que me leve adiante.

Se as respostas às perguntas que tenho feito nesses últimos anos me trouxeram até aqui, significa que talvez ‘repensar’ seja o verbo desta hora.

Twitter

•agosto 25, 2009 • Deixe um comentário

O Albatroz está no Twitter!

http://twitter.com/oalbatroz

Vivendo e Aprendendo

•agosto 14, 2009 • 1 Comentário

Em um dos meus sobrevôos a algum tempo atrás, pude perceber um rapaz andando sozinho por uma trilha num dos inúmeros bosques por onde passei.

Diferentemente de todas as pessoas que eu já havia visto, acabou chamando-me a atenção o caminhar deste. Me parecia meio perdido, andando em círculos, desesperado em busca de algo. Nessa minha ‘caminhada solitária’ não tenho o costume de fazer isso, mas resolvi abrir uma exceção: preparei a descida, pousei em um galho alto porém próximo, e o abordei.

Ele tomou um belo susto com a minha chegada. Estava ofegante com a caminhada, mas aceitou parar pra conversar um pouco. Disse estar nessa caminhada solitária a um bom tempo, e precisava de um bom papo para retomar o foco e continuar.

Senti que ele precisava desabafar e apenas fiquei escutando…

“Sabe Albatroz, estou até agora tentando descobrir por qual motivo o meu foco se dissipou, ou até mesmo eu embarquei nessa viagem. Confesso que hoje, não conseguirei definir pra você nem os  porquês, nem o objetivo de tudo isso. É como sair em busca de algo certo, e nas dúvidas geradas a cada ação que você pratica quando está sozinho, você perder totalmente a objetividade.

Sei que me encaixo em diversas situações, passo tranquilamente a qualquer prova que queira me submeter. Porém não vejo como continuar me apoiando no material para continuar vivendo. A vida é o quê afinal? É a busca pelo quê? Tenho visto pelos lugares por onde passo, gente experiente, vivida, sofrida, que para qualquer situação corriqueira pode dizer que seguiu conforme a sociedade, dançou conforme a música. Aí quando pergunto: você VIVEU? A resposta é sempre tímida, como se tivesse abdicado de muitos sonhos em detrimento de outras coisas que nesse momento não fazem o menor sentido.

Isso me dá forças para continuar, mas há uma maldita razão dentro da minha cabeça que grita pedindo que eu retorne à mesmisse de sempre, que eu tenha uma “vida normal”, embora sem poder me prometer a felicidade.

São por volta de oitenta anos, não é isso Albatroz? Não é isso que nós humanos temos? Qual é a verdade em “vivendo e aprendendo” se em determinado momento nós trocamos o “aprendendo” pelo “sobrevivendo”? Onde está essa vírgula, esse fino momento onde perdemos o controle total de nossas vidas?

Eu daria o mundo para ter um primogênito. Vê-lo nascer, aprender a andar, a sorrir, a chorar. Vê-lo entrar em conflito comigo. Vê-lo me apoiar, vê-lo se acostumar a ser apoiado por mim, ou mesmo criticado por mim. Mas tenho um medo meu amigo Albatroz. Que um dia essa sociedade da qual eu abri uma certa distância o roube de mim. Convença-o de que “vivendo e aprendendo” é pior do que “se escravizando e sobrevivendo” como as pessoas estão acostumadas a fazer.

Esses são os porquês que me incomodam meu amigo. E eu te agradeço por me ouvir, por deixar que eu os coloque um pouco pra fora. Pois agora sinto que tenho um fôlego a mais para continuar minha caminhada. Em busca do foco, da razão de estar caminhando. Obrigado!”.

Do alto de onde estava, olhei bem pra ele e disse: meu amigo viajante, vocês seres humanos são muito complicados. Porque vocês mesmos se complicam, a vida não é complexa desse jeito. Mas ela está cada dia mais complexa. Acho que você está certo na sua busca. Mas nunca abandone completamente seus instintos, como também não viva somente com eles. A razão está na simplicidade com a qual a gente vê a vida. Já que você descobriu o caminho, prossiga com ele. E não tenha medo de ter o seu primogênito. Ele, tal qual você será um ser humano, e nem você poderá evitar isso.

Faça uma boa viagem. Descubra-se. Mas não se esqueça de se estabelecer em algum lugar, para poder aceitar os desafios que a vida traz. Adeus.

Levantei vôo. Agora estou no alto. Céu azul, meio de tarde. Ficou um pouco de mim naquele viajante. E bastante dele em mim.

Vivendo e aprendendo…

Vamos levando…

•agosto 13, 2009 • Deixe um comentário

E ao que vislumbrava para futuro, não aconteceu. As circunstâncias que pareciam favoráveis se dissiparam e o plano volta a ser o normal de vôo.

Porém o tempo ainda é ruim. Assim, regozijo-me com o carinho dos amigos e dos familiares, aproveito para conhecer novos amigos e vamos levando a vida numa tranquilidade áspera e incômoda.

Destino

•julho 29, 2009 • 1 Comentário

Quando você fala, o “lá de baixo” escuta. Quando você pensa, só Deus ouve. Escutei essa frase fazem quase três anos. De uma pessoa simples, mas muito parecida comigo nesse conhecimento sobre a vida e sobre as pessoas que nos cercam. Encontrei-o durante um sobrevôo em uma nova região – desconhecida – que ao fim de quatro meses pude desenvolver um carinho muito grande e chamar de lar.

Esse provérbio inteligente me vem à cabeça toda vez que falo muito e pra muita gente meus planos de vôo. Eles acabam não se tornando realidade. É algo que acostumei a que me acontecesse, e apesar da grande energia positiva que me rodeia em vários sentidos, em algum momento acaba me atrapalhando.

Estou no chão. Daquele vôo de reconhecimento feito recentemente, não pude ver um horizonte claro ao longe. O que era uma certeza quase absoluta, um trajeto tranqüilo sob o oceano azul, uma chegada a uma terra conhecida, um ninho confortável e um objetivo concreto, transformou-se em uma neblina com previsão demorada de melhora.

Eis que me encontro no ninho materno. Tão confortável quanto, porém a necessidade de novos obstáculos me obriga a decolar. E aí que o destino brinca novamente comigo, como já o fez por algumas vezes. O destino me mostra uma possibilidade totalmente diferente do que eu havia planejado. E o sentimento é de que essa possibilidade me traga um obstáculo tão prazeroso de ser superado do que o anteriormente feito.

É muito do que eu quero há muito tempo, e é algo que não passava pela minha cabeça num estágio tão primário.

Depois de todo esse crescimento em anos de sobrevôos, confesso não saber o que fazer. Ao menos em um primeiro momento. Porque em um ’segundo’ momento, tudo pode acontecer…

Voltar a caminhar

•julho 3, 2009 • 1 Comentário

Já se vão três anos da saída. Quase dois do retorno.
E uma das grandes e boas surpresas, foi ver o processo de cura daquela loba. A encontrei quase em frangalhos, sem saber o rumo certo a trilhar, perdida e maltratada. Não tive sequer uma dúvida em pousar e iniciar um diálogo que me mostrou tudo isso, mas também um potencial em dignidade, carinho e companheirismo espetaculares.

Um sorriso que remete à busca pela felicidade, um abraço de confiança, um gesto de carinho. E um poder de aprendizado surreal. Tão espetacular, que não foi preciso muito tempo para ver severas mudanças internas e porque não externas também?, na personalidade, na maneira de agir, no próprio sorriso!

E hoje, vejo lá de cima – enquanto alço um vôo de reconhecimento – que a loba voltou a caminhar, a trilhar um rumo. Não sei se é o certo, mas a maneira como ela caminha, a certeza no passo, o olhar reto, focado, diz absolutamente tudo o que eu queria ouvir.

Que ela está pronta para o que vier pela estrada. Ela aprendeu que a vida é um eterno aprendizado, e que não há vergonha em errar, e que admitir o erro é uma virtude. E quando se descobre antes, é até sorte, pois nos poupa um tempo precioso para trilhar o caminho.

Vá loba! Caminhe por essa eterna estrada da descoberta! Aproveite tudo que puder, aprenda sempre que puder, erre e acerte o quanto quiser.

Estarei lá de cima, sempre observando.

As Coisas Mudam, As Pessoas Mudam

•março 26, 2009 • 2 Comentários

Eis que chegada a hora.
Nada é certo, nada é conseguido. Tudo planejado.
Já sei do que preicso para fazer valer todo esse sonho dos últimos anos. Já posso vislumbrar o alcance do objetivo e com isso ja posso sentir um prazer imenso.
Novamente, já vou sentindo a falta dos que novamente ficarão. Mas vou também lembrando da eterna luta do sol e do vento gelado sobre meu corpo. Um tentando me aquecer, outro me esfriando.
A cada novo passo, conquistei o direito de ver como as coisas sempre mudam. E assim as pessoas. Nada nunca é o mesmo, e achar que o é, ledo engano.
Quisera eu saber disso a um tempo recente. Mas faz parte da vida a gente aprender com cada obstáculo, com cada decisão que nos leve a um caminho impreciso.
Vou, já reconhecendo o caminho. Já sabendo o que fazer. Mas não sabendo quem ou o que encontrar.
É aí que a graça da vida se encontra.

O que me falta?

•agosto 31, 2008 • 1 Comentário

E aquela viagem já não é mais a mesma. Acostumei me com o descanso periódico, acostumei-me à vislumbrar as cores deste mundo maravilhoso. Acostumei me por um sentimento nobre e imensurável, a contentar-me com um pedestal qualquer, que me dê comodidade e uma visão parcial do céu azul, do mar – ah! que saudade do mar – e das estrelas à noite.

Vêm à mente a imagem do Cruzeiro do Sul, que me acompanhara sempre que eu procurava pela Lua, e que conversava comigo através de uma telepatia muda, sempre que o satélite estava em sua fase nova.

Vêm à mente milhares de imagens daquele tempo, as penas arrepiam-se ao lembrar daquele tenro frio que senti, e chegam a arrepiar novamente de saudade.

O relógio do tempo foi jogado fora a algum tempo, atitude necessária para que eu voltasse a crescer, mas hoje vejo que não cresço tanto o quanto gostaria. Falta-me algo ou alguém, falta confiança, falta coragem de voltar a ser quem eu outrora fui.

Falta-me enfim molhar novamente os pés na maré baixa daquela praia que visitei. Sentir a água gelada revigorando minha alma, me preparando para mais desafios, os quais eu também sinto uma enorme falta.

O Vale e a Neblina

•julho 29, 2008 • 2 Comentários

Eis que salto mais uma vez para um novo vôo. Não aquele que previ a algum tempo, mas talvez um mais emocionante. Um vôo onde o coração novamente volta a sentir aquele calafrio de novidade, que já não sentia já se vão uns bons anos, daqueles que arrepiam penas, asas, até o bico.

Mais um sorriso maroto, bobo, um olhar fixo e decidido, uma feminilidade extrema e ao mesmo tempo básica, simplicidade e articulação em um mesmo ser.

Faz-me sonhar mais e mais, e com isso solto minhas asas a um novo penhasco, não tão vazio. Mais cheio de vida, mais cheio de planos, mais cheio de verdades e menos cheio de sacrifícios de um lado só.

Quero voar acompanhado novamente. Quero sentir-me responsável por outro, além de mim. Quero fazer o que me foi designado, quero cumprir ao que de mim se espera, a quem de mim espera-se.

O salto é inicial, sob um vale com pouca neblina, quase me dizendo: “podes ver, mas ao mesmo tempo não podes”. Ouso arriscar. As perspectivas de sucesso são sentidas a cada batida dentro de meu peito, a vontade é de criança novamente. Sinto-me um garoto no meio de minhas grandes asas, sinto-me reforçado, independente quase que em minha totalidade, à não ser por um singelo sorriso.

Alimentar

•março 10, 2008 • Deixe um comentário

Em um desses momentos de descanso, de parada, resolvo levantar a cabeça. Já me satisfiz com a água que corre por entre minha garganta, gelada, revigorando cada kilometro vencido nos céus.
Vejo a vida mais simples acontecendo ao meu redor. Vejo o afago de um pai com seu filho, vejo o vento trazendo vida pelo simples fato de levar uma semente ao chão. Penso duas vezes antes de saborearme com aquilo, e não o faço. Afinal, penso à distância, como quem ainda não precisa daquilo, mas um dia precisará. Vejo a relação ontem e hoje prevalecer, e o amanhã vencer. Vejo meu passado, e suspiro.
Penso em cada oportunidade de que as coisas pudessem ter acontecido com essa simplicidade, as desavenças infortunas, chateações, oposições, todo um mal que trocou de corações.
Deixei pra trás a inveja, o mal olhar. As coisas ruins, nunca mais a me importunar. Não sei se terei sede novamente. Se terei, será somente sede de amar. Um dia esse coração que hoje me mantém vivo apenas pelo deleite da viagem, um dia irá descansar em um platô, onde poderei o meu filho alimentar.

Voar Serenamente

•janeiro 13, 2008 • Deixe um comentário

Saber que mais um ciclo que começa.
Um ciclo novo, tão obscuro quanto esperançoso.
Pela primeira vez em alguns anos, não vislumbro o horizonte, uma vez que estou aos pés da montanha. O rio traz às margens uma água doce e leve, e sua corrente me pede calorosamente que o siga. Levanto um vôo nobre, com as certezas que me marcaram por algum tempo em minha vida, ajudando a bater minhas grandes asas. Côrro, dou um pequeno salto, suficiente pra começar uma nova caminhada. Minhas patas ainda podem tocar o chão, pois é um vôo muito no começo, mas dessa vez é um vôo seguro, sem erros.
Me aparece a distração em cada canto do imenso corredor, mas não me desconcentro.
Vejo que é um vôo parecido com o que voei, nem tanto tempo atrás assim. Mas é um vôo mais sereno, mais cheio de metas e responsabilidades para comigo. É quase um vôo interior também. É, como falei antes, um vôo inicial.
Então…voe Albatroz!

Ciclo que finda

•dezembro 18, 2007 • Deixe um comentário

Termina mais um ciclo. Do alto, por entre enormes montanhas, vejo o vale e o rio que me guiou até aqui. Suas curvas ora me levaram à enormes decepções, ora a grandiosas alegrias. Reencontrei bandos há algum tempo esquecidos, conheci novos iguais a mim, novos diferentes de mim. Mas, sobretudo passei muita alegria a todos. E hoje chego à praia, perto de aterrissar, e todo o caminho me vem à cabeça.

Retomei a viagem de volta à terra amada, e à amada. Deixei para trás amigos novos que levo no coração até o fim. Passei de um ninho provisório – que cada vez mais me pede uma re-visita – ao ninho materno, ao calor das amizades, à novas perspectivas.

Vi tudo que planejei ver, mas não planejei sentir tudo o que senti nesse período. Suportei muito frio em minhas grandes asas, como também um calor enorme. Perdi – como em todos os anos – alguns amigos no meio do vôo, mas a vida se regenerou e trouxe ovos que anunciam a chegada de outra geração. Senti, com isso, que talvez eu ainda esteja longe de celebrar um nascimento mais próximo de minha herança genética.

Descobri também que o amor – esse sim – pode se regenerar, pode até se transmutar e isso me dá uma esperança enorme em relação aos de minha espécie. A paixão veio de forma fulminante novamente, me fazendo descer rente ao penhasco, arriscando quase tudo em nome de uma felicidade temporária. E o penhasco me feriu a asa, a tempo que eu acordasse e pudesse retomar o vôo em lugares mais altos, fazendo jus à sabedoria que levei tanto tempo para obter. Pude ainda ouvir aquela voz tenra e doce gritando por mim lá do penhasco, mas o medo de outrora me impede de segui-la.

Ajustei minhas asas num vôo mais racional e segui adiante. Passei por objetivos outrora especialíssimos, mas que com mais razão que paixão, me pedem que siga a viagem.

Ajudei alguns iguais a descobrirem-se e ajustei-lhes também as asas, para que voem um vôo parecido com o meu, seja comigo, seja sozinhos.

Confraternizei, e sigo confraternizando por não mais saber a qual tempo terei a companhia dos que gostam de mim.

Estou de baixo das asas dos que me deram vida. Dentro do ninho. Louco para sair e buscar objetivos maiores que meu coração pede.

É assim que chego à praia. Aterrissando com calma, razão, mas louco para fazer uma enorme bobagem. O curioso é que a razão é que me pede isso. E é a razão que me tira o pensamento, segundos depois.

Eu, que gosto das coisas certas, mas que ando por caminhos sinuosos, talvez mude a atitude.

Que o novo ciclo me demonstre se acertei ou não na decisão que tomar…

Horizontes

•novembro 23, 2007 • Deixe um comentário

Muitos iguais encontrei durante um percurso que vêm de tempos, que vêm de perto, que têm problemas – os quais já aprendi a solução. Já outros, trazem-me o desespero de causa, cuja consequência é a imensa e imediata infelicidade. Vejo em seus olhares a tristeza por não descobrirem a luz que carregam. Mas vejo além, vejo o futuro de felicidade coberto por uma barreira inespugnável de mentiras, sonhos falsos, pseudo-esperanças, desejos de primeira ordem que insistem em persistir na cabeça de cada um, que insistem em manter cada um no seu indevido lugar.
Não ouso bater asas à noite, justamente por não poder ver o horizonte. Mesmo assim eles insistem. O horizonte é tão belo na alvorada quanto no pôr-do-sol, e durante o dia o espetáculo das cores me faz entender a simplicidade da vida. Posso ver no chão a vida acontecendo ao largo, e posso ver no horizonte para onde estou indo. Quiçá faça um dia os meus pares entenderem a magnitude de simplesmente gozar a vida. De ser independente e ao mesmo tempo, de buscar conforto sob as asas de um amor. E não por este amor, mas com este amor, viver para ver quantos horizontes ainda for possível…