O Andante

•outubro 10, 2011 • Deixe um comentário

Nestas minhas ultimas andanças – se posso colocar dessa maneira – pude desenvolver uma grande amizade. Há muito que não conhecia o poder de uma amizade verdadeira e desinteressada. Por falta de uma, ganhei três destas. Mas agora conto um pouco a respeito de um andante.

Não há melhor maneira de descrevê-lo, acredite. Desde o início me impressionou a alegria serena de seu olhar, o jeito desinteressado e ao mesmo tempo impressionado com semelhantes que recém ia conhecendo, criando com todos um sentimento de grande carinho e conquistando sem exceções aos que dele puderam absorver tão boa energia.

Nasceu completamente com a casa em suas costas. O que lhe prende por um tempo em determinado lugar é a sua missão. Esta foi uma lição que desenvolvi muito observando-o.

Sabia exatamente a maneira de caminhar por este mundo que é nosso, distinguia com enorme facilidade a necessidade de seu coração de estar aqui ou ali, abraçava a todos com a maior facilidade do mundo, celebrava a vida como poucos que tive a oportunidade de conhecer.

E assim continuará fazendo. Com um espírito enorme de bondade, paz e luz. Com um sentimento de comunhão para com o próximo absolutamente fantástico, com um absoluto desprendimento de matéria, que se transformou em outra lição para mim.

E hoje ele faz a viagem que pude fazer no início desta jornada que você tem a oportunidade de ler e conhecer. Vai experimentar o ar gelado do sul, vivenciar a natureza fantástica, vai passar pelos desfiladeiros que sobrevoei, vai ser feliz como fui.

O que sobra além de uma boa saudade, é o desejo que ele sorria sempre. Pois não conheço andante melhor para esta missão.

Em outro tempo quiçá, encontraremo-nos novamente. Para trocarmos experiências de vida, para rirmos, para sentirmos aquela ótima energia que pudemos vivenciar neste curto período que se tornou este primeiro encontro. E para trocarmos mais uma vez, experiências dos caminhos que traçamos.

Caminhos Separados

•outubro 10, 2011 • Deixe um comentário

Só o amor pode trafegar entre o bem e o mal. Pode – e acaba sendo só ele – o grande responsável por um ato de alegria e um de profunda tristeza.
Quando esquecemos que este sentimento é o básico das relações entre nós, esquecemos de tratar a quem merece da maneira correta, e consequentemente esquecemos de nos tratar da maneira que merecemos.
Renunciar a isso é uma opção nem tanto óbvia, mas invariavelmente alguns acabam escolhendo o caminho mais curto para a decepção e a tristeza, mesmo que isso reflita em outros que sabem a tortuosidade deste caminho.
Por mais que se possa tentar influenciar, aconselhar, guiar, é impossível mandar no outro.
E o que resta é uma tristeza grande, que incomoda pelo simples fato de presenciar tamanha falta de visão, tamanho erro, e tão pouco aprendizado.
Mas resta também um desejo – o mais humano possível – que o aprendizado chegue da melhor maneira e que o arrependimento não lhe seja tão doído quanto deve transparecer.
Quem sabe em um futuro distante, não possamos enfim alçar aquele vôo que desejamos profundamente em nossos corações enquanto eu te conhecia e te reconhecia como companhia perfeita?
Por enquanto me resta torcer para que possas acordar deste pesadelo que ainda entendes como sonho, para encarar as dificuldades da vida de maneira real, como todos nós.

Outra Vida em Minha Vida

•abril 15, 2011 • 1 Comentário

Pousado estou em um ponto próximo àquele que foi ninho durante anos. Passou um pouco da incompreensão que vi anteriormente. Uma saudade chata ainda persistia, misturada com uma esperança vaga de um reencontro.

O silêncio do outro lado me invadia e as penas de minhas asas, rebeldemente imaginavam um novo longo vôo pela frente.

Eis que neste ponto onde estou, aparece uma criatura magníficamente interessante – assim por princípio direi. Se aproxima, traz-me atenção e gradativamente vai me mostrando um carinho tão inimaginável quanto inesquecível.

Como um prêmio por uma vida regrada e honesta, chega e toma conta de qualquer sentimento tolo e quase já esquecido que aquela saudade me trazia. Faz me querer viajar pra não tão longe a fim de remover dos pensamentos algo que deveria ter sido e não foi. Faz-me querer bem a mim mesmo, e desejar que o tempo passe rapidamente para ter sua companhia em minha volta mais uma vez.

Faz e traz um sentimento de uma relação saudável, carinhosa e prazerosa. Inunda esse coração já tão rodado e sofrido de esperança que finalmente o tão aguardado presente de felicidade plena e duradoura chegou pra ficar.

E isso me faz tornar um albatroz menos individualista e mais companheiro, mais presente e interessado nessa outra vida, curiosa, interessante, linda e mágica que está prestes a voar junto comigo o mais duradouro dos vôos.

Caminhos Tortuosos

•janeiro 30, 2011 • 1 Comentário

Mais um sobrevôo por aquela pradaria que resolvi chamar de lar por um tempo. Mantém me perto dos que me acolhem com seu calor fraternal, mantém me longe de idéias que me levem a mais uma viagem longa e talvez mais definitiva.

Embora esse singelo gesto de covardia e teimosia me impeça de levantar vôo longo, a esperança de que a situação que tanto torço que mude finalmente me consagre o sucesso esperado.

Por muito tempo pensei ser alguém incapaz de dar a devida importância a certos seres, embora poucos destes tenham me trazido um sentimento de família tão forte e intenso como cada uma das que eu torci para reverter certa situação.

É uma mistura do certo pelo justo, do óbvio pelo ilógico, da esperança pela quase conquista, e infelizmente pela tristeza, frustração e superação de sentimentos enormes que me invadem o ser.

Apesar de tudo isso, vejo com enorme felicidade ter passado por cada uma destas, aprendido com todas elas, e superado de uma maneira que meu crescimento é completamente justificável e proporcionalmente superior ao que um dia eu fui.

É incrível – neste sobrevôo – como posso enxergar pessoas desviando de caminhos mais óbvios e lógicos e entrando em estradas sinuosas tendo a crença baseada em uma esperança fútil de chegar em um lugar que não é nem de perto o mais seguro. É certo que já conheci muita gente corajosa nestas andanças, mas é tão claro quanto temerário ver sem nada poder fazer a respeito.

Se soubessem como a felicidade é algo simples e fácil de conseguir, talvez utilizassem um caminho mais curto, seguro e óbvio para alcançá-la.

Enquanto observador o que posso fazer é pouco. Observar, torcendo pela iluminação destas que precisam superar obstáculos tortuosos os quais elas mesmas escolhem como destino.

A velha viagem, A nova viagem…

•setembro 12, 2010 • 1 Comentário
Este tem sido um ano atípico. Apesar de muitas certezas e muitas coisas às quais já tinha um encontro marcado, ocorreram milhares de outras que me surpreenderam por todos estes dias.

Definitivamente não segui o planejado, não tomei o caminho mais fácil, não atingi o objetivo maior que me prometi a quase um ano atrás.
Por outro lado, este objetivo está cada vez mais forte em minha cabeça e em meu coração, e apesar dos descaminhos, tenho certeza que o atingirei em um futuro bem próximo.
Já cheguei daquela última viagem, já me meti em outra. Esta última para consertar meus desatinos, para reencontrar o caminho, para enfim recomeçar de novo.
Não é só a vida que me pede este recomeço. As situações, os sentimentos e a necessidade de enfim fazer o que de mim é esperado.
Hoje mais do que nunca, quem me encaminha para o sucesso, para o aprendizado infinito e para uma vida de alegria e felicidade é aquela que já está por perto a quase dois anos.
Me despertaste a vontade de enfim voar junto, não interessando para onde. Senão por mim, farei por nós, pois a companhia é a melhor possível, o carinho é o maior possível, e o querer – este enfim – é irresistivel.

Três Anjos

•junho 19, 2010 • 3 Comentários

Alguns anos atrás conheci um anjo. Foi um dia inesquecível, ou melhor uma noite. Um vôo noturno, descompromissado, que desviou meu rumo de uma maneira inexplicável (ou não).
Ao pousar à beira de um precipício – como constantemente fazia – fui surpreendido por uma compania inesperada. Lembro-me que chamaste minha atenção de uma maneira que qualquer paisagem imediatamente perderia o interesse.
Interessante foi muito pouco para definí-la. Uma voz cativante, um sorriso lindo e um olhar misterioso.
Foi nesse olhar que me ative. Abençoado, absorvia de sua experiência, e retribuía com um carinho muito grande. Afinal, como disse aquele pequeno garoto uma vez “És responsável por aquele que cativas”, o que tornou minha responsabilidade maior ainda.
Por muito tempo conversamos, por um tempo enorme nos afastamos. Idiossincrasias à parte, posso dizer que quem quer que tivesse um plano para nós dois, nos deu uma segunda chance.
Uma segunda chance para o aprendizado, para o conselho, para simplesmente gostar incondicionalmente de alguém que a muito tempo atrás sequer eu conhecia.
Hoje a encontrei novamente. E concebi que esta pessoa vai dar um passo que eu sempre quis que ela desse. E o outro passo, ela já me surpreendeu e superou um obstáculo.
Hoje ela é mãe em tempo integral, e ao final do dia será esposa em tempo integral. Para viver aquilo tudo que – mal sabe ela – eu decifrei em seus misteriosos olhos no dia em que a conheci. Afinal, eu já sabia do plano que se havia para ela.
Enfim hoje, ela pode sorrir para o céu – como sorriu pra mim aquela noite a alguns anos – e agradecer a toda felicidade que vive, e que está por viver.
E do alto, planando sob a luz de uma lua crescente, estou assistindo à tudo emocionado.
E – se me for permitido abençoar um anjo – que eu possa abençoar três.

Carinho

•janeiro 29, 2010 • 2 Comentários

A próxima viagem nem é tão longa como outrora, nem tão distante. Embora iminente, falarei dela quando chegar, e lhes darei perfeita descrição de como é. Ficarei por um não-sei-quanto-tempo, única certeza é que o ninho materno será ali.

Porém estou vivendo um dia depois do outro. Caso contrário, a fina penugem que me cobre a cabeça já sequer existiria…

Nos meus devaneios pré-viagem – e capitaneado pela minha amiga Loba (sempre ela) – comecei a devanear sobre as formas de carinho e seus significados.

Mas o que é carinho afinal? Que manifestação é essa que – ao menos pra mim – tem importância absurda? Porque gostamos tanto do “take care”? E porque em nossa vida diária damos tão pouca importância (que paradoxo, não?) a isso? E mais importante: como transformarmos nossas vidas para que o ‘menos importante’ resgate seu verdadeiro valor?

Bom, sei que pra mim é valoroso. E muito. E poucos momentos como esse, onde você chega em um lugar e independente de quem seja e a quanto tempo você conheça, você recebe esse carinho, pra mim não tem preço…

Vou deixar esse devaneio para vocês. Tragam a mim seus pensamentos a respeito de “carinho”, para que eu possa absorver um pouco de seus sentimentos e experiências.

Quero agradecer a essa amiga tão especial, que hoje caminha de cabeça erguida, corpo ereto e um sorriso contagiante, pelo carinho demonstrado em nossa última conversa.

E pode deixar que eu volto. O quanto antes.

Calm River

•dezembro 20, 2009 • Deixe um comentário

Nos pastos alaranjados pelo frio inverno vejo minha vida passada.
Céu azul, sol quase se pondo.
Dão à tela que se forma em minha imaginação um aspecto saudosista.

Sinto o vento cortar-me por entre as asas, mesmo assim arrisco uma curva alargada para um lado, para o outro. Ganho em meu campo de visão as montanhas que cortam esse pequeno vale margeado por um rio calmo e enfim ganho altitude, para poder contemplar ao fundo as montanhas semi cobertas por uma neve densa.

É a natureza pintando mais um quadro de perfeição para nós admirarmos – penso.

Tento me recordar como fui parar ali, se estou sonhando ou mesmo se estou desejando estar ali. Olho pra trás novamente e faço a grande descoberta: aquele ninho que tanto desejei hoje ficou no passado.

Ficam os amigos que estiveram tão perto nestes meus sobrevôos, peregrinações, períodos de descanso. Estes sim fazem a história que eu poderei contar lá na frente.

Mas por mais que seja divertido conviver, às vezes para um albatroz acostumado à solidão o tempo só é também importante.

Lá vou eu me reinventar novamente. É mais um ciclo chegando ao fim, dessa vez de uma viagem que nunca aconteceu.

Para este próximo passo, só uma certeza: o ninho não será o mesmo destes últimos anos. O “tudo novo” me traz aquele friozinho na barriga de outrora, que eu encarei e superei. E vou superar novamente para que em futuro breve possa passar o nobre vôo a quem será de direito.

Repensar

•novembro 23, 2009 • Deixe um comentário

Eis que me encontro neste meu refúgio destes tantos anos. Esta outra vida que eu mantenho para mim, quase um ninho, quase uma lagoa. Cheia de vida. Lugar este que já me trouxe tantos encontros, tantos sustos, tanta alegria e tanta paz de espírito. Hoje me encontro aqui. E foi mais um dia perfeito.

Olho pra trás e vejo todos os momentos em que aqui estive. Todas as situações, todos os amigos presentes, os que se foram, os que me permitiram ir um dia em minha viagem de outrora. Lugar de semelhantes tão especiais, lugar de encontrar sempre alguém especial. Seria absolutamente o lugar onde escondo um pouco do meu melhor. Aqui eu me re-analiso, me re-invento.

E como não poderia deixar de ser, lugar onde a mais fixa das idéias dá lugar a uma transformação total no meu rol de decisões. Se estamos sempre buscando um caminho, este caminho eu busco já há muito tempo. Fui buscá-lo longe por cansar de buscá-lo perto. E o longe, que me trouxe para o perto, me traz agora um novo caminho, que talvez vá de encontro a um ambiente que eu nunca quis abraçar. Mas que de uma hora pra outra, parece ser o caminho mais correto – e não o mais fácil – que me leve adiante.

Se as respostas às perguntas que tenho feito nesses últimos anos me trouxeram até aqui, significa que talvez ‘repensar’ seja o verbo desta hora.

Twitter

•agosto 25, 2009 • Deixe um comentário

O Albatroz está no Twitter!

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Vivendo e Aprendendo

•agosto 14, 2009 • 1 Comentário

Em um dos meus sobrevôos a algum tempo atrás, pude perceber um rapaz andando sozinho por uma trilha num dos inúmeros bosques por onde passei.

Diferentemente de todas as pessoas que eu já havia visto, acabou chamando-me a atenção o caminhar deste. Me parecia meio perdido, andando em círculos, desesperado em busca de algo. Nessa minha ‘caminhada solitária’ não tenho o costume de fazer isso, mas resolvi abrir uma exceção: preparei a descida, pousei em um galho alto porém próximo, e o abordei.

Ele tomou um belo susto com a minha chegada. Estava ofegante com a caminhada, mas aceitou parar pra conversar um pouco. Disse estar nessa caminhada solitária a um bom tempo, e precisava de um bom papo para retomar o foco e continuar.

Senti que ele precisava desabafar e apenas fiquei escutando…

“Sabe Albatroz, estou até agora tentando descobrir por qual motivo o meu foco se dissipou, ou até mesmo eu embarquei nessa viagem. Confesso que hoje, não conseguirei definir pra você nem os  porquês, nem o objetivo de tudo isso. É como sair em busca de algo certo, e nas dúvidas geradas a cada ação que você pratica quando está sozinho, você perder totalmente a objetividade.

Sei que me encaixo em diversas situações, passo tranquilamente a qualquer prova que queira me submeter. Porém não vejo como continuar me apoiando no material para continuar vivendo. A vida é o quê afinal? É a busca pelo quê? Tenho visto pelos lugares por onde passo, gente experiente, vivida, sofrida, que para qualquer situação corriqueira pode dizer que seguiu conforme a sociedade, dançou conforme a música. Aí quando pergunto: você VIVEU? A resposta é sempre tímida, como se tivesse abdicado de muitos sonhos em detrimento de outras coisas que nesse momento não fazem o menor sentido.

Isso me dá forças para continuar, mas há uma maldita razão dentro da minha cabeça que grita pedindo que eu retorne à mesmisse de sempre, que eu tenha uma “vida normal”, embora sem poder me prometer a felicidade.

São por volta de oitenta anos, não é isso Albatroz? Não é isso que nós humanos temos? Qual é a verdade em “vivendo e aprendendo” se em determinado momento nós trocamos o “aprendendo” pelo “sobrevivendo”? Onde está essa vírgula, esse fino momento onde perdemos o controle total de nossas vidas?

Eu daria o mundo para ter um primogênito. Vê-lo nascer, aprender a andar, a sorrir, a chorar. Vê-lo entrar em conflito comigo. Vê-lo me apoiar, vê-lo se acostumar a ser apoiado por mim, ou mesmo criticado por mim. Mas tenho um medo meu amigo Albatroz. Que um dia essa sociedade da qual eu abri uma certa distância o roube de mim. Convença-o de que “vivendo e aprendendo” é pior do que “se escravizando e sobrevivendo” como as pessoas estão acostumadas a fazer.

Esses são os porquês que me incomodam meu amigo. E eu te agradeço por me ouvir, por deixar que eu os coloque um pouco pra fora. Pois agora sinto que tenho um fôlego a mais para continuar minha caminhada. Em busca do foco, da razão de estar caminhando. Obrigado!”.

Do alto de onde estava, olhei bem pra ele e disse: meu amigo viajante, vocês seres humanos são muito complicados. Porque vocês mesmos se complicam, a vida não é complexa desse jeito. Mas ela está cada dia mais complexa. Acho que você está certo na sua busca. Mas nunca abandone completamente seus instintos, como também não viva somente com eles. A razão está na simplicidade com a qual a gente vê a vida. Já que você descobriu o caminho, prossiga com ele. E não tenha medo de ter o seu primogênito. Ele, tal qual você será um ser humano, e nem você poderá evitar isso.

Faça uma boa viagem. Descubra-se. Mas não se esqueça de se estabelecer em algum lugar, para poder aceitar os desafios que a vida traz. Adeus.

Levantei vôo. Agora estou no alto. Céu azul, meio de tarde. Ficou um pouco de mim naquele viajante. E bastante dele em mim.

Vivendo e aprendendo…

Vamos levando…

•agosto 13, 2009 • Deixe um comentário

E ao que vislumbrava para futuro, não aconteceu. As circunstâncias que pareciam favoráveis se dissiparam e o plano volta a ser o normal de vôo.

Porém o tempo ainda é ruim. Assim, regozijo-me com o carinho dos amigos e dos familiares, aproveito para conhecer novos amigos e vamos levando a vida numa tranquilidade áspera e incômoda.

Destino

•julho 29, 2009 • 1 Comentário

Quando você fala, o “lá de baixo” escuta. Quando você pensa, só Deus ouve. Escutei essa frase fazem quase três anos. De uma pessoa simples, mas muito parecida comigo nesse conhecimento sobre a vida e sobre as pessoas que nos cercam. Encontrei-o durante um sobrevôo em uma nova região – desconhecida – que ao fim de quatro meses pude desenvolver um carinho muito grande e chamar de lar.

Esse provérbio inteligente me vem à cabeça toda vez que falo muito e pra muita gente meus planos de vôo. Eles acabam não se tornando realidade. É algo que acostumei a que me acontecesse, e apesar da grande energia positiva que me rodeia em vários sentidos, em algum momento acaba me atrapalhando.

Estou no chão. Daquele vôo de reconhecimento feito recentemente, não pude ver um horizonte claro ao longe. O que era uma certeza quase absoluta, um trajeto tranqüilo sob o oceano azul, uma chegada a uma terra conhecida, um ninho confortável e um objetivo concreto, transformou-se em uma neblina com previsão demorada de melhora.

Eis que me encontro no ninho materno. Tão confortável quanto, porém a necessidade de novos obstáculos me obriga a decolar. E aí que o destino brinca novamente comigo, como já o fez por algumas vezes. O destino me mostra uma possibilidade totalmente diferente do que eu havia planejado. E o sentimento é de que essa possibilidade me traga um obstáculo tão prazeroso de ser superado do que o anteriormente feito.

É muito do que eu quero há muito tempo, e é algo que não passava pela minha cabeça num estágio tão primário.

Depois de todo esse crescimento em anos de sobrevôos, confesso não saber o que fazer. Ao menos em um primeiro momento. Porque em um ‘segundo’ momento, tudo pode acontecer…

Voltar a caminhar

•julho 3, 2009 • 1 Comentário

Já se vão três anos da saída. Quase dois do retorno.
E uma das grandes e boas surpresas, foi ver o processo de cura daquela loba. A encontrei quase em frangalhos, sem saber o rumo certo a trilhar, perdida e maltratada. Não tive sequer uma dúvida em pousar e iniciar um diálogo que me mostrou tudo isso, mas também um potencial em dignidade, carinho e companheirismo espetaculares.

Um sorriso que remete à busca pela felicidade, um abraço de confiança, um gesto de carinho. E um poder de aprendizado surreal. Tão espetacular, que não foi preciso muito tempo para ver severas mudanças internas e porque não externas também?, na personalidade, na maneira de agir, no próprio sorriso!

E hoje, vejo lá de cima – enquanto alço um vôo de reconhecimento – que a loba voltou a caminhar, a trilhar um rumo. Não sei se é o certo, mas a maneira como ela caminha, a certeza no passo, o olhar reto, focado, diz absolutamente tudo o que eu queria ouvir.

Que ela está pronta para o que vier pela estrada. Ela aprendeu que a vida é um eterno aprendizado, e que não há vergonha em errar, e que admitir o erro é uma virtude. E quando se descobre antes, é até sorte, pois nos poupa um tempo precioso para trilhar o caminho.

Vá loba! Caminhe por essa eterna estrada da descoberta! Aproveite tudo que puder, aprenda sempre que puder, erre e acerte o quanto quiser.

Estarei lá de cima, sempre observando.

As Coisas Mudam, As Pessoas Mudam

•março 26, 2009 • 2 Comentários

Eis que chegada a hora.
Nada é certo, nada é conseguido. Tudo planejado.
Já sei do que preicso para fazer valer todo esse sonho dos últimos anos. Já posso vislumbrar o alcance do objetivo e com isso ja posso sentir um prazer imenso.
Novamente, já vou sentindo a falta dos que novamente ficarão. Mas vou também lembrando da eterna luta do sol e do vento gelado sobre meu corpo. Um tentando me aquecer, outro me esfriando.
A cada novo passo, conquistei o direito de ver como as coisas sempre mudam. E assim as pessoas. Nada nunca é o mesmo, e achar que o é, ledo engano.
Quisera eu saber disso a um tempo recente. Mas faz parte da vida a gente aprender com cada obstáculo, com cada decisão que nos leve a um caminho impreciso.
Vou, já reconhecendo o caminho. Já sabendo o que fazer. Mas não sabendo quem ou o que encontrar.
É aí que a graça da vida se encontra.

 
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